Junta de Freguesia de Perelhal

História

RESENHA HISTÓRICA DE PERELHAL

Perelhal, orago São Paio, era uma vigararia da apresentação do Cabido de Braga.

Perelhal, diz o Padre António Gomes Pereira, no seu livro "Tradições Populares", que vem do latim piri-cl-ale (piricul-ale), lugar das peras pequenas; ou directamente do português: pera, paral, perêlha, perelhal.

Esta freguesia vem nas Inquirições de 1220 com a designação = De Sancto Pelagio de Pereira anlal = de Terra de Neiva.

Nelas se diz: «quod habet ibi dominus Rex 21 casalia et terciam et senarias, et dant inde terciam fructus in villa, et in monte quartam».

«Et si homo voluerit recedere de villa dabit 1 morabitinum, 2 solidos, et sic ibi liber. Et si aliquis venerit habitare in villam ipsam et voluerit habitare in villam ipsam et voluerit recedere infra annum, non dabit nisi 2 solidos. Quod Rex est inde patronus. Quod ista ecclesia habet unam senariam».

Nas Inquirições de 1258, 1.º Alçada, se diz: In Judicato de Nevia, Item, in parrochia Sancti Pelagii de Perylar «que dominus Rex est patronus et senor desta ecclesia, et ha el Rey in est couto 21 casal et tercia»... «et devem et am de levar os lavradores destes casaes o pam del a agua de Nevya ataes Regauffi u lis mandar o Mayordomo. E ha y el Rey 5 pezas de Regaengo in Perilar, que dá o Mayordomo por sua offreciom a quem li mais da. E ha y el Rey 3 moynos».

... «Et ha y el Rey 7 casas». «E se o omem se quiser sair do casal ha a dar al Rey um maravedi 2 soldos e ir-se in paz.

Item, dixerunt que Cabanelas est d'el Rey as duas partes, et a tertia derdadores del Rey. Et, dixerunt que esses erdadores tragem mais ca seu dereito de Cabanelas.

Item, os omees de Pereliar forum abrir una bouza por sua contra Jumezes e semearom y suas favas, et veo Roy Fernandiz de jumeces com seus omees de noite et taliou ende as favas: et ora tem Fernando de Lago essa bouza, e non na am os de Pereliar».
A freguesia de são Paio de Perelhal era toda reguenga, segundo diz A. Herculano, na História de Portugal, tomo 3.º, nota 1.ª.
Perelhal foi incluida com muitas outras terras na doação que D. João I fez a seu filho bastardo D. Afonso para casar com D. Brites Pereira d'Alvim, filha do grande condestável D. Nuno Alvares Pereira, em 8 de Novembro de 1401.
Passou pois esta freguesia a ser um próstimo da casa de Bragança, vendo-se hoje ainda, delimitando-a, os marcos daquela Casa com as armas, coroa e um B gravado por baixo destas.

A Igreja Paroquial desta freguesia esteve primitivamente no Passal, sendo mudada para o sí­tio onde está no século XVIII e construído nessa Época o grandioso templo que se vê.

Está esta igreja no centro de um adro, cercado por parede, com uma porta, ladeada por seis pirâmides, para o qual se descem sete degraus de pedra.

Na ampla fachada do templo abre-se um bem trabalhado pórtico, em cuja verga se lá a inscrição. «A 1764», por cima uma pequena rosácea, que dá luz ao coro, e sobre a arquitrave, que atravessa a fachada, um nicho com a imagem em pedra, um terço do natural, do padroeiro São Paio.
Ao lado esquerdo daquela fachada levanta-se uma forte e bem proporcionada torre para os sinos com seu relógio.
No mostrador deste, junto á torre e por cima da cornoja da igreja, vê-se a seguinte inscrição: «A CONFRARIA DO SS. SACRAMENTO 1916».
Por trás da torre foram construídas as sacristias que ainda hoje conservam os seus curiosos tectos em maceira com flores.
No adro, em cima das paredes, vêem-se algumas cruzes da via-sacra; na primeira á entrada do adro, lado esquerdo, tem na base a inscrição =1725 = e em outra, do lado direito, junto ao Cemitério = 1722 A.

Dentro o templo é amplo e espaçoso. A sua capela-mor é forrada a madeira pintada, tendo ao centro um quadro alusivo ao Sacramento; pavimento em mosaico e altar antigo, estilo renascença, encerrando a tribuna um painel, representando a «Ceia».

O corpo da igreja é também forrado a madeira pintada, destacando-se no centro um quadro com a imagem do padroeiro São Paio.

Tem cinco altares laterais, sendo apenas dignos de nota os dois do lado do evangelho: O primeiro, junto ao arco cruzeiro dizem que era de uma capela particular demolida, trazido para aqui há muitos anos, e o segundo em bela talha contém uma inscriçãoo = «A 1780 EN» =.

Tem esta igreja coro firmado em três arcos, púlpito com a data gravada 1784 e baptistírio com pia em granito muito antiga.

No soalho do corpo da igreja tem gravado na madeira = «Rebulido em 1916».

Existem nesta igreja quatro ricos tocheiros em madeira, um valioso pálio e o pano da porta, que tem bordada a seguinte inscrição: «Perelhal, Feito em 1859».

Conservam-se ainda duas sepulturas em pedra, pias, uma embutida na parede do adro e outra servindo de bebedoiro a animais, junto a um poço, no Passal.

A Residência Paroquial, construída junto ao lado esquerdo do adro, foi demolida, dando lugar à nova residência paroquial.

O Cemitério Paroquial foi construído também junto ao adro, lado direito, em comunicação com este, e tem sobre o seu portão a data - 1887.

Em frente à igreja ergue-se o Cruzeiro Paroquial, simples e modesto, o qual tem na base do lado direito a inscrição = «1671 - REBOLIDO EM 1935» - e na base virada ao templo = «REBOLIDO EM 7bro DE 1838».

Tem esta freguesia actualmente apenas duas capelas.

A Capela de Sáo Cirilo é muito antiga e está em princípio de ruí­na.

A sua fachada, baixa, termina em Ângulo, encimado por uma cruz na base da qual se vê a data 1673. De fora da porta existe um púlpito quadrado de pedra, escabelo, incompleto, faltando-lhe as guardas de um dos lados.

Dentro a capelinha é forrada a madeira com altar em talha muito simples.

No monte de São Miguel, limites desta freguesia com a de Vila Cova, existia uma pequena ermida da invocação de São Miguel.
Conta a tradição que a imagem do seu padroeiro, não se sabe porque motivo, várias vezes desaparecia da sua morada e vinha esconder-se em um matagal, que então havia no sítio onde hoje está a capela do Alívio. O povo, julgando que o santo queria vir morar para ali e abandonar o ermo do monte, demoliu aquela capela e, arroteando o brejo, construiu no sítio onde era encontrada a imagem um pequeno templo.

Existiu o templozinho de São Miguel neste local muito tempo, até que, há perto de uns oitenta anos, resolvendo-se edificar junto a ele a Capela de Nossa Senhora do Alívio, foi demolido, servindo a sua pedra para a construção desta.

A imagem de São Miguel passou então a venerar-se na nova capela, ao lado da de Nossa Senhora do Alívio.

Está esta capela ao lado esquerdo da estrada de Esposende a Barcelos (E.N. 103-1), tendo em frente um amplo terreiro onde se faz todos os anos uma grande romaria, no terceiro domingo de Setembro.

É em estilo moderno, fachada singela com um nicho que contêm a imagem da padroeira em pedra.

Ao lado esquerdo, a facear com a fachada, eleva-se uma pequena torre para os sinos e por trás desta a sacristia.

Na parede exterior da sacristia lê-se a seguinte inscrição: «EM 1875 A FIZ JOAO JOAQUIM MARTINS».

Dentro a capela-mor é forrada a madeira bem como o corpo da igreja.

Tem, além do mor, dois altares laterais, bem modernos, coro e púlpito.

Em frente a este templo, do outro lado da estrada, ergue-se um cruzeiro que tem na base a data «1682 A».

Dizem que este cruzeiro pertencia á velha capela de São Cirilo e que foi trazido para aqui quando da construção da capela do Alívio.

Veneram-se ainda as seguintes Alminhas: as do Outeiro e as de Mouriz.

Esta freguesia, situada em planície, confronta pelo Norte com a de Vila Cova; pelo Nascente com a de Creixomil e a de Mariz; pelo Sul com o rio

Cávado e pelo Poente com a de Gemeses, do concelho de Esposende.

É fertilizada pelos ribeiros, afluentes do rio Cávado, de Freixieiro, que nasce na freguesia dos Feitos, onde é conhecido pelo nome de São Gonçalo, e o de Mouriz, que nasce na freguesia de Vilar do Monte, onde é conhecido por ribeiro da Anta, e é servida pela estrada n.º 4 de Esposende a Barcelos (a antiga Estrada Distrital n.º 29 de Esposende a Braga) e por outra que vai desta estrada, capela do Al­vio, até á igreja de Gemeses, ligar com a da Barca do Lago a Barroselas, galgando o ribeiro de Freixieiro em uma ponte de cantaria.

As fontes públicas desta freguesia são: a do Olho do Sapo, a do Retiro, a da Morada, a do Feijoal, a do Moinho Novo, a de Mouriz, a do Rego da Lage, a da Gafa e da Ponte Nova.

A população desta freguesia era no século XVI de 66 moradores; no século XVII era de 117 vizinhos; no século XVIII era de 112 fogos; no século XIX era de 585 habitantes e actualmente é de 782 habitantes, sendo 370 varões e 412 fêmeas, sabendo ler 127 homens e 32 mulheres, havendo 623 analfabetos.

Esta população acha-se distribuida pelos seguintes lugares habitados: Casal, Outeiro, Pedreira, Gandra, Morada, Mouriz, Freixieiro e Ermida.

As suas casas mais importantes são: a da Ermida, a do Engenho, a das Moucas e a do Retiro.

Tem Escola Oficial mista, de 1 lugar, que funciona em edifício arrendado, 3 Lojas de comárcio, 1 Farmácia, 1 Padaria, 1 Alfaiataria e caixa do Correio.

Além de alguns moínhos, há nesta freguesia uma Fábrica de Moagem.

Entre esta freguesia e a de Fornelos, ao Sul do Cávado, há um açude.

Nas «Memórias Paroquiais» de 1756, referentes á freguesia de Barcelos, diz-se que dos açudes de Mareces para baixo a pesca no rio Cávado é livre, excepto na Barca do Lago e em Fão.

Parece, pois, que não existiam então os açudes do Contador e o de Perelhal.

Era natural desta freguesia Fr. Pedro de Perelhal, frade leigo da Província da Soledade. Professando no convento de Aveiro, exercitou-se em todo o gênero de virtudes: na pobreza, na castidade, na caridade, na oração, na penitência e na abstinência, em que deu exemplo a todos.

Faleceu no Convento do Bom Jesus do Monte da Franqueira, aos 10 de Março de 1690, com 86 anos de idade e 66 de religião.

Viveu em Perelhal Manuel Pedro Adelino Gayo de Miranda, vereador da Câmara Municipal de Barcelos, nos princí­pios deste século e que fez muito bem a esta freguesia.

Os franceses, em 1809, ao passarem por esta freguesia, em marcha de Barcelos sobre Esposende, foram de uma atrocidade inaudita.

Rechaçados pelas guerrilhas em Creixomil, onde morreram muitos franceses, mas reforçados em Barcelos, ao voltarem e passarem por estes sítios, praticaram verdadeiros actos de vandalismo.

Em Perelhal roubaram, incendiaram muitas casas e assassinaram mulheres, velhos e crianças; a gente válida fugiu para os montes próximos e foi o que lhe valeu.

Na estrada velha que ia desta freguesia para a de Gemeses, do concelho de Esposende, no lugar da Pedreira, conhecida pelo caminho do Reguengo, vêem-se nas lages que formam o pavimento desse caminho umas pequenas manchas cor de sangue.

Aquelas lages estão salpicadas de pintas dum vermelho escuro, que as penetram em toda a sua profundidade; o povo diz que aquelas manchas são o sangue de algum inocente morto ali pelos franceses.

«Extraído do livro Barcelos - 1987.
"O CONCELHO DE BARCELOS - AQUÉM E ALÉM CÁVADO" I Volume, da autoria de Teotónio da Fonseca, da Associação dos Arqueólogos Portugueses.»


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